Presidente
da AEANG, Inspectora CORA PENA
Chegámos ao termo deste Congresso e, a mim cabe, como Presidente da AEANG, proferir algumas palavras já que o Sr. Dr. Costa Borges o fez na sua abertura.
Desejo agradecer a distinção que nos foi conferida pelas personalidades que presidem à Comissão de Honra; também às individualidades, assim como Imprensa e Rádio que tiveram a bondade de corresponder ao nosso convite com a sua presença nesta sala. Aos Espoliados do Ultramar que de longe ou de perto vieram para connosco conviverem momentos tão altos da nossa causa o meu abraço muito afectuoso.
A minha mensagem será muito breve, porém eu queria poder fazê-la altamente alusiva ao sentimento que nos une e, que mais não é, o de sermos CREDORES DO ESTADO PORTUGÊS que não honra para connosco os seus compromissos.
Discriminados como temos sido por parte dos vários Governos que a Nação tem tido e, muito especialmente, pelo actual Governo encimado pelo Prof. Dr. Cavaco Silva, tivemos necessidade de nos organizarmos em duas associações para que, melhor unidos e orientados, pudéssemos reivindicar a justiça a que temos direito: AS INDEMNIZAÇÕES pelos bens que fomos obrigados a abandonar no Ultramar. Com eles milhares de quilómetros de solo pátrio ... as terras onde nascemos, vivíamos e trabalhávamos desenvolvendo-as e engrandecendo Portugal; eram terras de eleição onde se instalou a devastidão de uma guerra fratricida que semeia a fome, a doença, o terror e a morte, quando votadas ao abandono em nome de uma descolonização.
A nossa causa é de interesse nacional e, à escala de todo o País pelo que há todo o interesse por parte do Estado Português em pagar as indemnizações aos Espoliados ... que já não são aquelas vitimas sem defesa porque a sua defesa está bem patente na sua união e na obediência de voto. O voto é a arma que os políticos mais temem e mais desejam e nós sendo centenas de milhar, um milhão com as nossas famílias seremos, uma vez unidos e, respeitadores da obediência de voto, uma força que derrubará as barras de indiferença com que nos querem limitar, marcando a nossa VONTADE nas actuais presidenciais e nas próximas Legislativas, caso o Governo, até lá, não se definir. É que não podemos oferecer açúcar a quem nos tem enchido a boca de sal!
Fortemente unidos e, ainda, de mãos dadas aos 4 milhões de espoliados europeus filiados connosco na Confederação Europeia dos Espoliados do Ultramar (CESOM) não haverá fronteiras para a nossa solidariedade e reivindicações num país como PORTUGAL em que os Direitos do Homem não passam de um sentimento debochado por força da maioria dos seus políticos. Aqueles 4 milhões de Espoliados europeus já se viram indemnizados pêlos seus Estados. E nós quando seremos?
As nossas vontades unidas sobre o ultrage de que fomos vítimas até que vejamos o Estado Português ser uma pessoa de bem pagando a dívida que contraiu para connosco ao abandonar os territórios ultramarinos. Contra este ultrage a NOSSA UNIÃO e OBEDIÊNCIA DE VOTO no que foi determinado pelas Associações.