Espoliados do Ultramar pedem justiça

Cerca de 50* pessoas exigem indemnizações ao Governo


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A zona da Cimeira de Lisboa voltou hoje a ser palco de uma manifestação. Cerca de 50 espoliados das ex-colónias foram pedir ao Governo que lhes faça justiça.
O pedido já tem mais de 30 anos. Razão mais que suficiente para o luto em forma de bandeira e para os protestos indignados de quem sente que não recebeu o que lhe pertencia.
Os espoliados dizem-se vítimas de vários Governos ao longo dos anos e vieram pedir a este que siga o exemplo de outros parceiros europeus que pagaram a quem veio das ex-colónias.
Muitos já morreram, a multidão vai sendo cada vez menor, mas sobram histórias antigas e magoadas.
Os manifestantes entregaram ainda uma carta para os dirigentes da União Europeia.

SIC NOTÍCIAS - 19.10.2007
NOTA:
*Rectifico para mais de 200 pessoas


Veja aqui o vídeo da notícia da TVI(Lisboa):
http://www.macua.org/video/MANIFTVI19102007.wmv

 

 

 

Ex-residentes em Angola e Moçambique exigiram indemnizações


Cerca de 100 pessoas manifestaram-se hoje junto ao Pavilhão Atlântico, em Lisboa, exigindo indemnizações pelos bens que dizem ter perdido quando do processo de independência de Moçambique e Angola.


Os manifestantes, que se auto-intitulavam "espoliados de Angola e Moçambique" gritavam: "Queremos Justiça" ao mesmo tempo que empunhavam bandeiras pretas e cartazes escritos em inglês, para aproveitar a presença no local dos jornalistas estrangeiros que estão a cobrir a Cimeira Informal de Lisboa.

Nesses cartazes podia ler-se "32 anos é muito tempo", "França Pagou, Portugal Não", "Alemanha Pagou, Portugal Não" e "Bélgica Pagou, Portugal Não".

"Deixei lá 22 anos de trabalho e o resultado desses 22 anos", disse à agência Lusa o presidente da "Associação dos Espoliados de Angola", Fernando Martins.

De acordo com o responsável, quando se deu o 25 de Abril, todos os governantes "prometeram aos que estavam nas províncias ultramarinas que pessoas e bens estariam salvaguardados, mas acabaram por abandonar os portugueses, entregues à sua sorte".

"Fomos forçados a abandonar tudo o que tínhamos e em Portugal somos desconsiderados", afirmou.

O vice-presidente da "Associação dos Espoliados de Moçambique", Clara Brandão, disse que a sua luta é que todas essas pessoas sejam indemnizadas.

"Viveram lá uma vida inteira e de um dia para o outro perderam tudo. É uma injustiça. Outros países que tinham lá cidadãos pagaram as indemnizações", disse a responsável.

Uma das soluções apontadas por Clara Brandão é a transferência para os ex-residentes das verbas que Portugal vai receber da Barragem de Cahora Bassa, em Moçambique.

A
responsável anunciou ainda que as duas associações vão iniciar hoje uma campanha de sensibilização interna e internacional para este caso.

 

NOTÍCIAS LUSÓFONAS – 19.10.2007